sábado, 28 de agosto de 2010

Teoria da carência cultural e diferenças lingüísticas

Priscila Marise Barros de Castro

Nova Iguaçu

2009



Sumário



1- Introdução

2- A teoria da carência cultural

3- Diferenças lingüísticas

4- Conclusão

5- Bibliografia



1-Introdução


Este trabalho tem por objetivo explanar a teoria da carência cultural e diferenças lingüísticas , a qual culpa a família e o meio social em que vivem, pelo fracasso na alfabetização das crianças carentes.

Sendo assim, conclui-se que , segundo a teoria, as crianças das classes mais favorecidas utilizam a formalidade na fala, enquanto as menos favorecidas fazem uso da fala popular,ambos influenciados pela estrutura familiar.


2- A teoria da carência cultural

A teoria da carência cultural responsabiliza a criança pobre e sua família pelo insucesso na alfabetização. Não questiona o papel da escola na produção do fracasso, apenas sugere uma mudança curricular, a fim de ajustar a criança “carente” à sociedade e apresenta como soluções programas especiais que busquem compensar as suas deficiências. Nessa perspectiva, sucesso e fracasso na alfabetização são explicados a partir de características individuais de desenvolvimento cognitivo e da inadequação da escola em identificar e considerar essas características na apropriação da leitura e da escrita pela criança.

Segue o esquema que explica essa carência pela questão social:

Marginalização social > Carência bio-psiquico social >  Estrutura familiar inadequada > Falta de informação ou recursos comunitários >  Ausência de estimulação em etapa  crítica da vida > Baixo rendimento escolar > Evasão escolar > Marginalização social.... e assim continua.

3 - Diferenças Linguísticas

Segundo a  a lógica da teoria da deficiência cultural, o déficit lingüístico é atribuído à pobreza do contexto lingüístico em que vive a criança, particularmente no ambiente familiar. Em síntese: para a teoria da carência cultural, crianças das camadas populares, ao contrário das classes favorecidas, apresentam um déficit lingüístico, resultado da privação lingüística de que são vítimas no contexto cultural que vivem.

No caso do português, como ocorre também em outras línguas, é possível identificar duas variantes básicas que, embora compartilhando o mesmo núcleo lingüístico, apresentam diferenças consideráveis quanto aos aspectos morfossintático, léxico e fonológico: a linguagem culta ou padrão e a linguagem popular. A primeira detém maior prestígio social, sendo usada pelo grupo social dominante e/ou em situações de maior formalidade, enquanto a segunda, de menor prestígio, é utilizada pelas classes populares e/ou nas situações sociais de menor formalidade. De modo geral pode-se afirmar que a variante padrão está mais relacionada às regras da gramática tradicional e aos exemplos da língua escrita literária, que são mais conservadores, enquanto a variante popular está mais aberta às transformações da linguagem oral.

As causas e conseqüências das diferenças existentes entre a linguagem utilizada pelas classes populares e a linguagem formal utilizada pela escola são interpretadas de forma bastante diferente segundo a orientação teórica e ideológica dos educadores. Assim, os adeptos da teoria da deficiência/carência lingüística pressupõem que a falta de experiências lingüísticas adequadas seja uma das principais causas das dificuldades de escolarização dos alunos provenientes das camadas populares, baseando-se numa suposta privação e/ou inadequação das situações de interação e comunicação vivenciadas por essas crianças. Já os adeptos da teoria da diferença lingüística defendem a idéia de que a escola é a principal responsável pelo problema escolar enfrentado por essas crianças, uma vez que não sabe lidar com a linguagem desses alunos, estigmatizando-a e transformando diferenças em deficiências.

Um elevado grau de variação lingüística no início do ano letivo pode exercer influência negativa sobre o processo de alfabetização, dificultando a aquisição da linguagem escrita, mesmo quando não se observa um padrão claro de estigmatização da linguagem oral dos alunos, como foi o caso da presente pesquisa. Esses resultados podem ser explicados se levarmos em consideração que a utilização de variantes dialetais supõe a necessidade de domínio/memorização de um número maior de irregularidades na correspondência entre letras e sons, bem como de um trabalho pedagógico adequado e lingüisticamente fundamentado por parte das professoras alfabetizadoras.

4- Conclusão

O trabalho explica a influência da variação lingüística sobre a aquisição da linguagem escrita. A análise nos mostrou a relação negativa significativa entre os níveis primitivos de variação lingüística e o desempenho final das crianças em leitura, sugerindo que a utilização de linguagem não-padrão pelos alunos pode dificultar o processo de alfabetização, principalmente quando não trabalhada adequadamente pelas professoras. Sugere a importância de uma efetiva transmissão dos conhecimentos lingüísticos e sociolingüísticos, através dos cursos de formação de professores alfabetizadores.


5- Bibliografia

SOARES, Magda. Linguagem e escola - uma perspectiva social. 17ª edição. São Paulo: Ed. Ática, 2002, 85 páginas.

SOARES, Magda. Letramento- um tema em três gêneros. Belo Horizonte, Autêntica.

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